em Letsfair

A Letsfair estabeleceu seis pilares que sustentam o conceito de um marketplace de aplicativos para economia compartilhada. O objetivo dessa série de artigos é tratar sobre o pilar Identidade.

Para a maioria dos serviços na Internet, criar uma conta de acesso usando email e a senha é o primeiro passo para a construção de uma identidade digital. Portanto, identidades digitais permitem a identificação de um usuário dentro de um ambiente ou contexto específico.

Quando os dados de identidade de usuários são armazenados sob responsabilidade e propriedade de empresas, existem riscos iminentes de fraudes, que vão desde o roubo das credenciais de acesso até a venda de dados sigilosos. O escândalo que envolveu as empresas Facebook e Cambridge Analytica, evidencia que os termos de uso e as políticas de privacidade não são ferramentas eficazes que garantam o sigilo dos dados e informações.

A Letsfair está comprometida com o direito de privacidade das pessoas e têm realizado estudos sobre novas formas de armazenamento de identidade digital com alto nível de privacidade. Espera-se construir um modelo descentralizado, baseado na tecnologia Blockchain, que permita aos usuários o controle de seus próprios dados.

Modelo centralizado e a falta de privacidade

O relatório Digital Identity: Issue Analysis é o resultado de uma análise detalhada de sete modelos diferentes para a implementação de identidades digitais. A figura a seguir, apresenta os nomes dos modelos e suas variações nos níveis de privacidade e centralização.


De acordo com o relatório:

“Os gigantes da Internet (Facebook e Google em particular) construíram negócios em torno da coleta de informações sobre consumidores que podem ser usadas para criar perfis de clientes para fins de publicidade direcionada. Inicialmente, as informações foram coletadas do uso das plataformas, por exemplo, as postagens feitas no site ou as informações procuradas, bem como informações de identidade auto-afirmadas. Os serviços de logon permitem coletar e compartilhar informações com terceiros, estendendo a presença de suas marcas, além de fornecer dados adicionais para seus perfis”. (62 p.)

No modelo centralizado, existem riscos de privacidade associados ao vazamento ou compartilhamento de dados pessoais com sites de terceiros, muitas vezes sem autorização de seus usuários. Talvez não exista um interesse comercial em garantir os direitos de privacidade em sua forma ideal, com o uso de ferramentas tecnológicas ao contrário de política de privacidade e termos de uso.

Por combinar o uso de diversas técnicas computacionais criptográficas como a Zero Knowledge Proof e tecnologias como a Blockchain, o modelo No ID Provider (No IDP) é o modelo mais adequado a ser implementado por algum serviço que pretende respeitar a privacidade de usuários pois é o que oferece o maior nível de privacidade e descentralização.

Portanto, a autonomia individual é um dos princípios essenciais da privacidade e deveria ser considerado no desenvolvimento de qualquer sistema de identidades. É possível notar que o próprio modelo de armazenamento centralizado de dados é contra o conceito de liberdade digital. Para permitir a autonomia individual, os sistemas deveriam dar aos usuários o controle exclusivo dos seus próprios dados.

Conclusões

Os princípios apresentados a seguir, servirão de orientação para a construção de um sistema de identidades descentralizadas para a Letsfair.

Identidades digitais descentralizadas armazenadas em blockchains

O serviço de criação de identidades descentralizadas será oferecido pela Letsfair aos seus usuários para que seja possível participar do marketplace. No futuro, é esperado que exista também a integração com outros serviços provedores de identidade para garantir a autonomia individual e livre escolha.

Enriquecimento da Identidade com atributos

Para realizar uma transação de compra/venda, o vendedor pode, solicitar ao comprador, uma determinada informação (atributo). Talvez, essa informação já exista na identidade do usuário e bastará, a ele, compartilhá-la. Com o crescimento da utilização do marketplace pelos usuários, naturalmente, a identidade de cada um será preenchida com dados necessários para que os negócios aconteçam.

Identidade enriquecidas como base para um novo modelo de reputação digital

Quando ocorrer qualquer transação comercial, haverá a possibilidade de avaliação mútua dos participantes daquela transação. Isso significa que, com o passar do tempo, usuários poderão construir uma reputação digital baseada em negócios realizados entre pessoas que provam sua integridade.

Para que uma identidade se torne mais completa, real e que seja associada a uma pessoa, os atributos podem ser verificados e validados por outros membros da comunidade. Essa prática aumentará a confiança entre os usuários, ao mesmo tempo que diminui os golpes de reputação clássicos. Tudo isso compõe um sistema de reputação online que evita a entrada de “contas de acesso” que não refletem uma identidade real com a intenção de prejudicar o comércio, obter vantagens ilícitas ou se passar por outro membro da comunidade.

Portanto, esse artigo apresentou a importância de se tratar corretamente a questão da identidade para o futuro dos negócios na economia compartilhada e principalmente em projetos como a Letsfair, que utilizam a tecnologia Blockchain para promover negócios.