em Letsfair

Não é segredo que realizar um ICO (Initial Coin Offer), por parte de startups, virou uma moda atraente, motivada pela facilidade de obter investimentos imediatos e globais.

Chegou-se ao ponto em que ICOs foram realizados com o único objetivo de aplicar fraudes, prejudicando outros projetos e equipes idôneas que utilizaram a mesma técnica para obter fundos. Tal fato, motivou uma discussão somente em torno das fraudes aplicadas em ICOs, porém não foi possível observar um destaque para a questão: como partir para uma outra abordagem, uma evolução do ICO pensando nas empresas reais que precisam de investimentos para iniciar um negócio. Logo, este artigo pretende abordar os problemas de um ICO sob outra visão e discutir uma nova causa, o NoICO.

No período de 2016 a 2017 foram realizados diversos ICOs que somados, resultam em bilhões de dólares. Mas, por incrível que pareça, mesmo que um projeto tenha alavancado milhões, pode não ser suficiente para construí-lo e torná-lo um sucesso. Isso acontece porque o dinheiro recebido no ICO pode nortear e limitar o desenvolvimento do projeto. Em outras palavras existe uma discrepância entre a visão de valor e o dinheiro arrecadado no evento único. Para demonstrar que esse pensamento é válido, imagine se a Uber tivesse realizado um ICO?

Em 2016, a Uber recebeu um aporte no valor de 3,5 bilhões de dólares sendo que até a publicação deste artigo, o negócio talvez não tenha atingido o ápice desejado pela empresa e seus investidores. Portanto, se a Uber tivesse realizado um ICO logo em sua concepção poderia ter arrecadado “apenas” 10 milhões de dólares. Isso poderia ser noticiado pela mídia como um ICO de sucesso. Então, resta a dúvida se a Uber conseguiria cumprir a extensa proposta de roadmap, com apenas essa quantia, ou se limitaria ao dinheiro recebido e seria construído somente parte do negócio proposto. É evidente que não seria a mesma Uber de hoje!

Antecipar situações como no exemplo anterior é complexo, trabalhoso e custoso. Afinal, este é o propósito dos grupos de investimentos. Porém, para empreendedores que adotam um modelo evolutivo, baseado em prova de valor, realizar um ICO pode ser um problema sério.

A motivação para o surgimento do NoICO

No início de 2017, elaboramos um whitepaper e uma estratégia para realizar um ICO com o propósito de obter fundos para construir um marketplace de economia compartilhada: o surgimento da startup Letsfair. Estávamos prontos para usar, de fato, a técnica padrão e levantar os fundos para iniciar o nosso projeto. Quando procuramos algumas empresas e consultorias relacionadas a ICO, fomos surpreendidos com comportamentos, no mínimo, bastante divergentes de qualquer forma de empreendedorismo sério e real.

Uma das empresas contatadas foi uma “suposta” aceleradora de projetos blockchain. Logo no início nos dispensaram e não mostraram interesse por conta de nossa meta de ICO ser inferior a desejada por eles, uma vez que uma grande parte dos tokens deveria ser reservada para eles.

Em contato com outra empresa que possui uma plataforma de gestão de ICOs, perguntamos quais seriam as regras. A resposta dada por eles, simplesmente foi: “Realizamos somente ICOs que tenham o objetivo de arrecadar, no mínimo, 30 milhões de dólares”. Tivemos uma má impressão tão grande que decidimos esquecer totalmente a ideia de ICO. Isso nos motivou a pensar de forma diferente sobre como obter investimentos.

Problemas de um ICO

O peso da falta de liberdade

Em um ICO, o dinheiro investido aparece muito antes da comprovação de valor da ideia, e isso fatalmente é usado para futuras cobranças de resultados.

Uma vez consumada, a venda dos tokens e o recebimento do dinheiro, a comunidade de crypto investidores entende que a ideia precisa ir até o fim. Muitas vezes, qualquer mudança diferente do que foi prometido no início, já é um mal sinal e pode intensificar a especulação. Mudar o curso completo do negócio (pivotar) é uma afronta aos investidores.

Em qualquer momento, o empreendimento sentirá o peso da falta de liberdade, contrário totalmente ao modelo real de empreendedorismo, que é orientado a responder mudanças de forma ágil.

Impossibilidade de novas rodadas de investimentos

Supondo que a empresa não tenha mais saldo em caixa para continuar o projeto e decida por uma estratégia de gerar novos tokens. Ao anunciar a venda dos novos tokens sem qualquer justificativa, causará também um desconforto na comunidade de investidores.

Os investidores iniciais se sentirão prejudicados, por não ter a noção real do problema enfrentado pela empresa, e não sabem muitas vezes ao certo, se esse resultado se deu por má administração do capital recebido no ICO, ou se houve de fato um problema de planejamento financeiro, alinhado ao propósito ou escopo original.

No futuro, diversos projetos que realizaram um ICO e não provaram seu valor, talvez, quebrem por não ter a chance de evoluir a ideia de forma correta e natural.

Parte significativa de tokens nas mãos de especuladores logo de início

A comercialização de grande volume de tokens no início do projeto, prejudica a visibilidade da evolução da ideia. Isso cria a falsa sensação de sucesso apresentada pelos preços elevados dos tokens, quando na verdade, se trata apenas do mercado paralelo de especulação de futuro e não da capacidade da empresa em produzir os resultados propostos.

Não há um compromisso direto, claro e garantido que os resultados da empresa estão relacionados diretamente ao valor de seus tokens, entendidos ou não como ativos.

Desconexão do valor real da empresa e valor de mercado dos tokens

Uma empresa no dia seguinte após seu ICO, pode não ter nenhum resultado real e prático enquanto produto entregável, pois não produziu absolutamente nada, além de uma campanha promissora. Logo, o valor somado de seus tokens, talvez seja multiplicado várias vezes por conta de especulação e euforia. Ao longo do tempo, essa discrepância entre o valor real da empresa em comparação ao valor de seus tokens pode ser mais acentuada.

Um modelo referência para NoICO

O contrato inteligente implementado pela Letsfair, para a criação de seus próprios tokens, serviu de referência para a concepção do modelo NoICO e possui somente duas características adicionais, além do padrão ERC20 adotado, que são:

  • Número finito de tokens não liberados de uma única vez;
  • Uma forma de liberar gradualmente os tokens em um período determinado (a Letsfair adotou o tempo limite, de cinco anos, e considerou esse prazo adequado para seu projeto alcançar grau de maturidade).

Com essas duas características e a condução responsável do negócio, é possível reduzir os problemas apresentados anteriormente.

A liberação e venda gradual de tokens permite aos empreendedores uma orientação ao mundo real que é de fato, cheio de mudanças, pois vai contra o modelo de seguir o plano até o fim e acaba com a falta de liberdade, uma vez que o investimento é direcionado para as adaptações que a empresa necessita. Com isso, a empresa pode passar a receber investimentos continuamente conforme mostrar a solução de problemas com resultados reais, possibilitando sempre novas rodadas de vendas de tokens. Inicialmente, como não há um ICO, os tokens ficam em poder da própria empresa e isso evita a especulação precoce de seu valor, associando de fato o valor real da empresa com o valor de mercado dos tokens.

É importante destacar, que o contrato de um projeto NoICO pode ser colocado em produção, assim que o empreendedor ou time iniciar seus trabalhos, ou desde a concepção da ideia como uma forma de obter seus primeiros investimentos e viabilizar os trabalhos. Por fim, é necessário esclarecer que o modelo NoICO não apresenta ou propõe como será realizada a venda de tokens, nem como abordar investidores para que a venda contínua seja promovida. Essa estratégia é missão do empreendedor.

Portanto, utilizar um modelo NoICO demonstra por parte da startup, que ela deseja partir para o caminho do empreendedorismo real, sério, normal e evolutivo, externando princípios como: seriedade e honestidade de propósito e crescimento do negócio direcionado à prova de valor.

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O tigre é uma referência ao planejamento econômico que permitiu o rápido crescimento dos países chamados Tigres Asiáticos: Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan.